20 de abril de 2010 às 13:25 com as tags flexibilidade, Gestão
O clima organizacional é tema atual de debate em empresas, especialmente porque pode ser um fator determinante para o desempenho empresarial no mercado. Em entrevista à reportagem de O Lojista, a psicóloga Marina Batista, MBA em Psicologia Organizacional, é taxativa ao dizer que a responsabilidade pela qualidade nas relações dentro do ambiente de trabalho envolve todos: funcionários e patrões. Além de apontar quais são os papéis de cada um nesse processo, ela ainda comenta os desafios de empresas com caráter familiar e dá dicas gerais de comportamento (Box) que fazem a diferença no relacionamento entre colegas e entre gestores e subordinados.
Revista O Lojista – Quais as vantagens de se ter um clima organizacional agradável?E quando ocorre o contrário?
Marina Batista – As conseqüências de um bom clima na empresa é que os funcionários adoecem menos, trabalham mais felizes, têm uma produtividade muito maior e um rendimento além do esperado porque o ambiente é propício para isso. Agora, quando ocorre o contrário, geralmente a empresa terá muitos funcionários em licença médica, que têm problemas de saúde, são funcionários que estão muito estressados. Quando a empresa é um local onde há muita briga e ela não consegue se desenvolver.
O Lojista – Quem é o responsável mais direto para conseguir um clima organizacional bom? Os funcionários ou os gestores?
Marina – Na verdade, o clima é uma responsabilidade de todos. Só que alguns fatores são mais específicos dos líderes e outros são mais dos colaboradores, mas em suma, todos são responsáveis pelo clima da empresa. Não é uma pessoa, entre 100, que vai prejudicar o clima.
O Lojista – Mas até onde vai a responsabilidade do empresário e até onde vai a responsabilidade do funcionário? Como poderia ser dividida a atuação de cada parte?
Marina – A responsabilidade do patrão vai até onde ele proporciona um clima agradável para o empregado. Ele deve proporcionar meios para que esse empregado tenha uma qualidade de vida, não permitir que o colaborador extrapole os horários, oferecer um local adequado para refeições na empresa, se for o caso. Também é importante que o empregado não fique tão pressionado, que não exista terrorismo na empresa, como ameaça constante de demissão. Por parte do empregado, existe a responsabilidade de evitar pequenas picuinhas, implicâncias com colegas, não fazer seu serviço a fim de sobrecarregar o colega.
O Lojista – Que papel a comunicação interna assume com fator de influência na questão do clima organizacional?
Marina – Uma empresa que tenha uma comunicação aberta, em que todos sabem o que está acontecendo, não tem problema. Quando ninguém sabe o que está ocorrendo, começa a atuar o que nós chamamos de “rádio peão”. Todo mundo começa a comentar o que poderia ocorrer, como uma demissão em massa. Às vezes não tem nem indício disso, mas o clima se torna tenso dentro da empresa porque todos então trabalham mais revoltados. No final das contas acaba não sendo nada (do que foi dito pela “rádio peão”), mas aí o clima está tão ruim que acaba tendo demissão por isso.
O Lojista – E se o empresário viver uma situação em que tem dois bons profissionais que não se dão bem? Se ele não quer demitir nenhum deles, qual seria a melhor solução?
Marina – Normalmente recomenda-se conversar com os funcionários, ver qual que é o problema porque muitas vezes pode ser algo bobo, às vezes um achou que o outro falou alguma coisa dele e os dois nunca sentaram para conversar. Como ser humano a gente tem a opção de escolher gostar ou não de uma pessoa, mas isso não impede que eu conviva bem com ela. Eles não precisam se amar, mas também não precisam se matar dentro da empresa. Um clima de cordialidade, de educação, de respeito, de ética é possível dentro da empresa.
O Lojista – E quando se trata de uma empresa familiar?
Marina – As empresas familiares são um pouco mais complicadas porque muitas vezes as pessoas não sabem diferenciar um ambiente de trabalho e o lado pessoal. Então às vezes o clima fica ruim porque a mãe briga com o filho em casa e quando chega à empresa ela começa a descontar tudo no filho. Ou então a mãe colocou o filho para trabalhar, mas ele não faz o serviço dele. Sem contar que os outros funcionários que não são da família sofrem com isso porque normalmente existe uma preferência pelos membros da família. Então eles têm certo privilégio entre os funcionários. Normalmente isso dá uma certa rixa entre os funcionários e o clima tende a ficar ruim. Então é preciso trabalhar com essa família para ver que em casa eles são uma família, mas na empresa eles são funcionários e têm responsabilidades como tais.
O Lojista – Até que ponto a disputa entre departamentos da empresa pode ser sadia?
Marina – Estamos num mercado competitivo e a disputa é considerada sadia, desde que não ultrapasse os limites. Passou a prejudicar o outro já não é algo legal. Se, por exemplo, o Departamento Financeiro faz sua parte, mas esquece de repassar para o Departamento de Pessoal o que é preciso ser repassado, isso vai gerar um transtorno. E a empresa não é só composta de departamentos, os departamentos é que compõem a empresa. Então essa competição é legal quando ela proporciona crescimento para o profissional, sem prejudicar o outro.
O Lojista – Como um profissional externo pode auxiliar na solução do problema?
Marina – Quem está inserido no problema geralmente não o percebe. Ele vê que tem alguma coisa errada, mas não consegue identificar o que é e quais são os responsáveis. Então o ideal é que um consultor externo vá até a empresa para mostrar esses pontos para o empresário porque será uma pessoa neutra, sem nenhum vínculo com as partes.
Dicas de Marina Batista, MBA em Psicologia Organizacional, para um clima agradável no ambiente de trabalho:
Fonte: Revista O Lojista - CDL Anápolis

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