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22 de fevereiro de 2010 às 13:21 com as tags

Varejo regional cria bolsões de resistência

O Brasil tem um varejo maduro e competitivo e o motivo não é só a profissionalização de gigantes multinacionais do setor. O crescimento econômico, aliado ao maior pode aquisitivo da população, fortaleceu as empresas regionais, que, eficientes, criam verdadeiros bolsões de resistência à expansão das gigantes. Poucos sabem, mas nenhuma das grandes de comércio-Pão deAçúcar, Carrefour e Walmart – tem alcance nacional. Em alguns mercados, como no estado do Pará, simplesmente não há representantes dessas bandeiras.

Paralelamente, o estado conta com as redes de supermercados Yamadae Líder, com faturamento superior a R$ 1 bilhão cada uma.

O Pão de Açúcar bem que tentou emplacar uma loja no local, sem sucesso. A ex-loja da rede hoje é ocupada por uma Yamada.

Esta situação não é privilégio da região Norte. A Casas Bahia recentemente fechou cinco lojas no Rio Grande do Sul, onde chegou a ter 28 pontos de venda em Porto Alegre, Canoas e Caxias do Sul. “O Sul não aceitou a Casas Bahia. O gaúcho émuito bairrista.Eles pensaram: o que uma loja com o nome Bahia faz por aqui?”, afirma Sussumu Honda, presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras).

De acordo com ele, as varejistas brasileiras não conseguem ser nacionais de fato, por dificuldades em entender o mix de produtos de certas localidades, além de problemas em acertar a mão na estratégia de marketing.

Os supermercados sentem a mesma dificuldade de entrar na região e bater de frente com varejistas locais como os supermercados Zaffari, afirma Honda. Primeiramente, porque uma lei municipal (lei complementar nº 462), de janeiro de 2001, proíbe a construção de novos super e hipermercados com área superior a 2,5 mil m² em Porto Alegre. Um hipermercado tem em média 5 mil m², o que já inviabiliza diversas bandeiras das grandes varejistas.

O cuidado com os produtos é outro diferencial. “O varejista gaúcho sabe que é importante ter na prateleira cinco marcas de ervas para o chimarrão. O supermercado de fora não entende isso”, afirma Honda.

No Rio de Janeiro, o diferencial de redes locais como Prezunic e Zona Sul está em entender o poder das bancas de charque, explica Honda. É comum encontrar bancadas no meio das lojas dedicadas a exposição de produtos como carne salgada.

As redes fluminenses sabemque estes produtos fazem parte da mesa do consumidor local.

Este conhecimento está à disposição das grandes redes do setor, mas há a dificuldade em variar o modelo de loja de acordo com o gosto de cada região. “As redes grandes trabalham com padrões. É difícil para elas ter um tipo de loja diferente emcada estado do país”, afirmaHonda.

Outro problema comum nas grandes redes é que o responsável pelas compras está no escritório de São Paulo e, muitas vezes, não tem conhecimento dos produtos mais importantes para o consumidor de cada região. “O comprador da rede está pensando em adquirir salmão, que agrada o consumidor paulistano, enquanto o cliente manauara quer comer tambaqui”, diz Honda. A linguiça pantaneira, feita da carne do boi, é outro exemplo. “O comprador de São Paulo não conhece o produto, que é presença constante no carrinho de compras dos consumidores do Mato Grosso.”

Logística complica expansão

De acordo com Alberto Serrentino, sócio da GSMD,a dispersão do grande varejo ainda é muito complicada e os custos altíssimos de logística só se justificam se a empresa conseguir massa crítica que rentabilize o investimento.

Outro fator que inibe os esforços das gigantes na interiorização para mercados menores é a concentração do poder de consumo nas regiões Sul e Sudeste. Por outro lado, o varejo do Nordeste é o que mais cresce no país há pelo menos três anos. “As redes que cresceram com a migração econômica promovem pequenos movimentos de blindagem de seus mercados”, afirma. É comum redes comprarem terrenos vizinhos aos seus, ou fazerem acordos com outras empresas locais, para impedir a entrada dos gigantes. São famosos, por exemplo, os boatos de que a rede de eletroeletrônicos Insinuante e os supermercados Nordestão fizeram uma parceria informal para a compra e arrendamentos de terrenos nas grandes capitais, a fim de dificultar a entrada da Casas Bahia.

Não é à toa que as supermercadistas se digladiaram pelas redes de supermercados Bompreço, no Nordeste, e Sonae, no Sul, compradas pelo Walmart. “A compra é sempre a melhor solução quando o assunto é a expansão regional”, diz Serrentino

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O responsável pelas compras das gigantes de São Paulo está pensando em adquirir salmão, que agrada o consumidor paulistano , enquanto o cliente manauara quer comer tambaqui.

Sussumu Honda, presidente da Abras.

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Lojas como Riachuelo, Renner, Marisa e C&A conseguem se posicionar bem em mercados fora do eixo

Rio – São Paulo.

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PONTOS-CHAVE

Os supermercadistas do Estado do Pará vez por outra recebem propostas para vender operações.Os empresários recusam e querem crescer na região.

A Distribuidora Coimbra, de Porto Velho, vende TVs de LCD e plasma a preços compatíveis com os das metrópolis. Os consumidores não querem produtos de segunda linha.

A Salfer, rede de móveis de Joinville (SC), dobrou de tamanho nos últimos três anos. A empresa quer chegar a São Paulo em 2011, quando estará prestes a faturar R$ 1 bi.

Fonte: Brasil Econômico

 

 

 

 

 

 

 


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