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22 de fevereiro de 2010 às 13:17 com as tags Economia, Empreendedor
Desde o começo do ano, o investidor que pretende fazer uma nova aplicação financeira nos bancos é convidado a responder a um questionário, chamado de Análise do Perfil do Investidor (API). Há quem pense que isso é só mais uma forma de os bancos conhecerem melhor seus clientes, mas o novo serviço tem ajudado muitos investidores a ajustar suas carteiras ao perfil de risco que eles mesmos avaliam ter. E os números são surpreendentes: o investidor brasileiro se arrisca mais do que se imaginava.
Pelo menos, este é o quadro atual, ajudado pela taxa básica de juros, Selic, que remunera os títulos dos fundos DI e de renda fixa, em modestos 8,75% ao ano.
Segundo Marcos Villanova, diretor de Investimentos do Bradesco, dos clientes que responderam, apenas 6% foram considerados conservadores, que preferem tais aplicações. A revelação maior ficou por conta de que 36% foram considerados moderados e outros 52% como moderados com disposição para investir em ações.
Além dos juros baixos – e da perspectiva de que eles assim continuem nos próximos anos, mesmo com um repique em 2010 para conter a inflação -, Villanova atribui o resultado à sofisticação do próprio cliente, que já não sai mais resgatando tudo em “movimentos de manada” nas crises, e dos bancos, que hoje oferecem consultorias de investimento especializadas.
- Tivemos uma boa surpresa.
É um sinal de que 80% desses clientes têm domínio do que estão fazendo, querem escolher um melhor investimento. Antes, o cliente vendia o imóvel e perguntava ao gerente como investir e ele não sabia orientar, por desconhecer o perfil do cliente.
Agora está atrelado a perguntas a que o próprio respondeu – diz, lembrando que nenhum cliente a quem o questionário foi oferecido se recusou a preenchê-lo.
Ele avalia que, antes da crise, a média mundial de investidores considerados “dinâmicos” (com parcela relevante em ações) era de 50%, contra apenas 12% no Brasil. Com as perdas generalizadas das bolsas, diz, este número caiu para 38% no mundo.
No varejo, 40% se arriscam menos do que poderiam No Brasil, a aplicação dos questionários já tem permitido ao investidor se conhecer melhor e ajustar seus portfólios. No Itaú Personnalité, por exemplo, o percentual de clientes que corriam menos risco do que aceitariam – segundo suas respostas – já caiu nesses dois meses.
Ou seja, o investidor percebeu que estava sendo mais conservador do que precisaria e mudou parte de suas aplicações.
Em fevereiro, confrontadas as aplicações financeiras de fato com as respostas, foi visto que 26% dos clientes se arriscam menos do que poderiam. Em janeiro, este percentual era de 40%. Em contrapartida, o percentual dos que passaram a se arriscar mais do que deveriam também aumentou, de 25% para 36%, e 38% estão enquadrados.
Já no varejo, 40% têm aplicações menos arriscadas do que poderiam pelo que apontam os questionários, relata o diretor de Produtos de Investimento e Previdência do Itaú Unibanco, Osvaldo do Nascimento. Ou seja, os números comprovam que o pequeno investidor é mesmo mais conservador, e mais até do que precisaria. No segmento, 46% estão com carteiras adequadas e apenas 14% se arriscam mais do que o perfil indica.
- O cliente médio está mais adequado. O investidor de varejo, de baixa e média renda, é mais conservador, mais do que o próprio perfil recomendaria. É óbvio que o bolso dele é mais curto também – diz Osvaldo.
Para o executivo, os ganhos do mercado de ações em 2009 justificariam hoje o fato de os clientes de alta renda terem um percentual maior do que no passado em investimentos de alto risco. O executivo estima que 100 mil clientes, de um potencial entre 800 mil e 900 mil, já tenham preenchido o formulário de API.
Gilberto Poso, superintendente executivo de gestão de Patrimônio do HSBC, onde apenas 6 mil já responderam, conta que há casos de clientes que ficam surpresos com os próprios resultados, que lhes permitiriam diversificar e se arriscar mais. Ou seja, muitas vezes falta conhecer os produtos oferecidos pelos bancos.
Foi o caso da publicitária Tania Martins, dona da agência de comunicação Ability.
- Eu achava que meu perfil fosse conservador e, quando preenchi o formulário, deu que era moderado. Aí, eu aumentei as parcelas em algumas aplicações.
Eu admito um risco maior e estava perdendo dinheiro parado lá, e perdendo chance de recuperar perdas que tive com a Bolsa – relata Tania.
Uma das mudanças de estratégia proposta pelo HSBC foi uma diversificação maior da parte da carteira investida em ações.
Resistência de clientes a perguntas é menor hoje Segundo a vice-coordenadora da Comissão de Distribuição de Produtos de Varejo da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima, responsável pela exigência do questionário), Rosaline Nunes, a resistência dos clientes em responder a perguntas consideradas pessoais tem sido pequena.
Possivelmente, devido à busca por melhores oportunidades, mas também graças à facilidade de se preencher o questionário, com poucas perguntas (no mínimo seis, segundo a Anbima, e que, na prática, não passam de dez, variando de banco para banco) e disponível nos serviços dos bancos pela internet.
- No passado, talvez o cliente não fosse tão receptivo a responder a este tipo de perguntas – diz Rosaline.
Fonte: O Globo

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